sábado, 1 de janeiro de 2011

Memórias alheias

Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.


(Memórias de Minhas Putas Tristes - Pg. 74)

Gabriel García Marques.



segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Só os loucos sabem

Era fim de tarde. A correspondência devia ser aberta. Um cartão colorido chamava a atenção entre os envelopes brancos e amarelados espalhados pela mesa. Para não contrariar as leis da psicologia e as estáticas comprovadas, o primeiro a ser lido foi o tal chamativo cartão. Era abstrato, alguns riscos que pareciam formar uma rosa vermelha se misturavam em todas as direções com o marrom e bege do desenho que supostamente, retratava o pé de um homem. Dentro, uma mensagem: "Perdão é o perfume que a rosa deixa no calcanhar de quem a esmaga." autor da mensagem e do desenho? doente mental do hospital da cidade.

Naqueles momentos de raiva, de feridas abertas, de decepção, naqueles momentos difíceis de descer pela garganta e tão fáceis de serem avaliados, nestes momentos que fazem-nos pensar que os dias são menos gloriosos do que na verdade sempre foram, são e serão, nestas horas que você percebe que a remediação para todas as feridas abertas não dependia de você.Nestas desgastantes, porém, enriquecedoras horas que a vida te prova que ninguém deve esperar quer seja o reconhecimento, a consideração ou até o respeito, mesmo daqueles seres julgados tão merecedores da maior honra da vida: que é ter alguém que despido de toda intenção secundária, se importe e acredite em você. São nestas doloridas horas que aprendemos que nem sempre recebemos o que ofertamos.

Pois é assim, em meio a toda fúria e efusão dos mais desiludidos pensamentos sobre o ser humano, lá vem ele, sinalizando a paz, e fazendo o prenúncio de um novo recomeço : o perdão. Cabisbaixo e cheio de pressa, o perdão começa seus questionamentos. Às vezes nos faz indagar se vale a pena anular todos os bons momentos por uma falta despretensiosa e infeliz. Outras, se dizem por si mesmos e juram de pé de junto que nunca mais vai acontecer. Há ainda quando torturam a si próprios no intuito de nos provarem que verdadeiramente se arrependeram ou quando ressaltam a sua agonia para demostrarem que se importam. Sem contar as vezes que não questionam, não indagam, afirmam.E sempre em suas assertativas terminam dizendo: afinal somos humanos. Mas existe também aquele que conhece muito bem seus direitos divinamente concedidos e logo recorre à tão famosa citação cristã: "...pois então, que atire a primeira pedra..." E então, quando todos os argumentos se vão, o mesmo perdão outrora triste e envergonhado , perde a razão e se transforma na arrogância incutida na popular frase: Fiz o que pude, ninguém é perfeito. Que se dane!

Empate. O ferido e o causador da ferida sentem-se igualmente ludibriados. O primeiro porque já não é a primeira, mas talvez a segunda ou terceira vez que foi desiludido e teve suas mais certas convicções dilaceradas e registradas nas páginas do livro mais precioso que cada ser carrega consigo: a sua própria vida. O segundo, porque embora regado do mais honesto arrependimento, ainda que não tenha como prová-lo, é ignorado. A verdade? Ambos cometem equívocos em suas justificativas.

O ferido erra quando afirma que quem errou foi o outro.Porque não foi. Quem errou foi ele mesmo, sua culpa reside no fato de ter atribuído demasiado valor e estima à alguém que não é merecedor de tal fortuna, e muito menos capaz de sustentar a coerência entre suas palavras e ações, alguém que se diz irmão e nunca ofereceu ajuda , alguém que se diz amigo para todas horas e virou as costas quando mais se precisou, alguém que se diz amor eterno, mas só o é enquanto é conveniente e fácil manter. Se fosse fácil cultivar família, amigos e amores, aqueles que o conseguem não se distinguiriam entre os demais.

O causador da ferida erra porque não entende que perdão não é obrigação, nem muito menos deve ser confundido com tolerância e permissão para o erro. Perdão exige tempo. Exige esforço.

No fim, por mais que se perdoe ou que se seja perdoado, as cicatrizes ficam, algumas mais finas e discretas do que outras, mas ficam como lembretes em nossa memória de que não importa quão justo ou bom você seja, um dia você vai ser ferido assim como também, vai ferir.

Fechei o cartão e observei novamente o desenho da rosa e do pé. Pensei que por pior que seja a dor de uma mágoa, por maior que seja o tamanho da ferida, ainda assim, nada é tão pior e angustiante do que o perdão que nós devemos a nós mesmos.Perdoar a si mesmo é muito mais difícil e complexo do que ser perdoado ou perdoar outro alguém. Como se faz para perdoar quando é você que traiu, mentiu ou virou as costas, ou quando é você que faltou com a palavra?
O que acontece se ao mesmo tempo você é a rosa e o calcanhar que a esmaga?

Recomendo uma visita à um certo pintor e escritor de um chamativo cartão;
porque disto, só os loucos sabem.















Tainá Lima













terça-feira, 6 de julho de 2010

It seems like a disaster, but it isn't...

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I missed them, but it wasn't a disaster.

- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (write it!) like disaster.


from the book "In her shoes"
the best one dollar spent in my whole life.

domingo, 27 de junho de 2010

My wish

Eu desejo que desejes ser feliz de um modo possível e rápido,
desejo que desejes uma via expressa rumo a realizações não utópicas,
mas viáveis, que desejes coisas simples como um suco gelado
depois de correr ou um abraço ao chegar em casa,
desejo que desejes com discernimento e com alvos bem mirados.

Mas desejo também que desejes com audácia,
que desejes uns sonhos descabidos
e que ao sabê-los impossíveis não os leve em grande consideração,
mas os mantenha acesos, livres de frustração,
desejes com fantasia e atrevimento,
estando alerta para as casualidades e os milagres,
para o imponderável da vida, onde os desejos secretos são atendidos.

Desejo que desejes trabalhar melhor, que desejes amar com menos amarras,
que desejes parar de fumar, que desejes viajar para bem longe
e desejes voltar para teu canto, desejo que desejes crescer
e que desejes o choro e o silêncio, através deles somos puxados pra dentro,
eu desejo que desejes ter a coragem de se enxergar mais nitidamente.

Mas desejo também que desejes uma alegria incontida,
que desejes mais amigos, e nem precisam ser melhores amigos,
basta que sejam bons parceiros de esporte e de mesas de bar,
que desejes o bar tanto quanto a igreja,
mas que o desejo pelo encontro seja sincero,
que desejes escutar as histórias dos outros,
que desejes acreditar nelas e desacreditar também,
faz parte este ir-e-vir de certezas e incertezas,
que desejes não ter tantos desejos concretos,
que o desejo maior seja a convivência pacífica
com outros que desejam outras coisas.

Desejo que desejes alguma mudança,
uma mudança que seja necessária e que ela não te pese na alma,
mudanças são temidas, mas não há outro combustível para essa travessia.
Desejo que desejes um ano inteiro de muitos meses bem fechados,
que nada fique por fazer, e desejo, principalmente,
que desejes desejar, que te permitas desejar,
pois o desejo é vigoroso e gratuito, o desejo é inocente,
não reprima teus pedidos ocultos, desejo que desejes vitórias,
romances, diagnósticos favoráveis, mais dinheiro e sentimentos vários,
mas desejo, antes de tudo, que desejes, simplesmente.

Martha Medeiros

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

just breathe

Exigir sempre mais de si;
eis o degrau primordial na busca daquilo que gostaríamos ser.
O melhor;
ou nada.

Dias radicais que mudam o rumo desse fluxo de ir e vir que chamamos de vida.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Picking up quotes. Interesting ones.

As long as I have a want, I have a reason for living. Satisfaction is death.

totally agree.

2010

Of course I'm ambitious. What's wrong with that? Otherwise you sleep all day.


;]

fact.


By the way,

Happy New Year!


What Can I do better in 2010?!
It's just the beginning.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Revivendo meus prazeres

Dois horizontes fecham nossa vida:
Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro,—
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.

Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais;
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? – Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? – Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.
Dois horizontes fecham nossa vida.



















Machado de Assis, in 'Crisálidas'

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Wise Shakespeare

Love all, trust a few, do wrong to none.


trust a few,
To a person who thinks everybody has the right to have a chance,
I have to learn how to do this,

Oh boy, I really need to stop hurt myself.











I can't stand more deceptions.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Entre o familiar e o desconhecido

Era um dia típico em Manaus. Estava quente. O sol queimava a pele de quem andava descalço pelo asfalto da comunidade São Pedro, antiga Carbrás.Na esquina, num bar, um grupo de rapazes, distraía-se tomando uma birita enquanto jogavam conversa fora. Paro e peço uma coca. De repente, as vozes e as risadas que dominam o badalado botequim somem e dão espaço para o som das motocicletas e alguns carros que por ali passam deixando rastros de poeira no ar.

Eram três horas da tarde de uma terça-feira. Eu estava sedenta, e o refrigerante gelado.Mas o burburinho continuou, e o que era antes um bate-papo descontraído, transformou-se em um diálogo monossilábico : - É?!, não?!, pois é.., será? Sei não mano?!.Percebi então, que a presença de alguém nunca antes visto nas redondezas de uma comunidade onde comumente todos se conhecem – por contato diário ou por conversas de porta – poderia ser o fator causador desse clima estranho e infreqüente.

Foi então, que me dirigi ao grupo e perguntei: Vocês sabem onde fica a escola da comunidade São Pedro? Um deles, um tanto desconfiado respondeu: - A senhora segue direto essa mesma rua aqui e vai tá lá, a escola. Eu agradeci e enquanto seguia pelo caminho que me fora sugerido, pensava porque toda aquela estranheza, me lembrava das aulas de filosofia, a caverna de Platão, a ignorância, o sol – como ardia – a luz e a sabedoria. Pode parecer gozado, mas a explicação é simples: estranhamos o que ignoramos. E é assim com todo mundo, independente de cor, religião ou posição social, sempre que nos deparamos com algo inusual, surpreendemo-nos em função do desconhecido. Eu era “o estranho”naquele lugar “desconhecido”.

Foi fácil encontrar a escola que leva o nome de um dos ícones amazonenses da luta pelos direitos humanos: Nestor José Soeiro do Nascimento, e que instaurou-se como marco no resgate da cidadania das pessoas que ali vivem, pois na inauguração, o então prefeito Serafim Corrêa assinou o documento que desapropriou o terreno, o qual pertencia ao ex-prefeito de Parintins, Carlinhos da Cabrás,- devedor de mais de quatro milhões e meio de reais referente ao IPTU e que por isso deu-se à legalização da invasão, a qual se tornou Comunidade do Parque São Pedro.

No final de tarde, cansada, depois de ter observado as crianças alegres brincando no intervalo da aula de “barra-bandeira”, “amarelinha”, depois de ter visto duas senhoras nas varandas de suas casas tecendo algo que suponho ser um cesto de náilon, depois de ter conversado com moradores que passeavam pelas ruas em direção ao ponto de ônibus, depois de ter ficado surpresa com a quantidade de lojas de confecções, calçados, mercadinhos, mercearias que se alastram pelas ruas da comunidade, depois de alguns contatos, um pouco mais de familiarização com o ambiente, andava pelas ruas livremente como se fosse habitual, me sentindo parte do ritmo que ali se leva. E passando outra vez pelo tal barzinho, duas crianças numa bicicleta gritaram: Tchau moçaa!! Eu sorri e acenei, pensando que o que nos falta é a experiência, o convívio, o conhecimento para quebrar esse abismo que há entre o familiar e o desconhecido.

Tainá Lima

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ensinamento familiar

A mãe moderna, carismática, segura, sensível chega em casa e diz à filha mais velha que há algo que ela precisa ver. A primogênita, a princípio, não entende o motivo pelo qual levaria a sua genitora a pedir num tom de ordem a sua presença no quarto. Suspeitou até que houvesse alguma tensão no assunto ou alguma outra coisa que ela não podia imaginar.
E não imaginou mesmo, era uma reportagem, um artigo do jornal local da seção de economia e o título era: Empreender requer estudo, escrita por um jovem chamado Renilson Silva.
Ela imaginou tudo, menos isso: um artigo! e foi então que intencionalmente ou não, a mãe despertou uma curiosidade tamanha naquela jovem que leu as palavras como quem bebe um copo de água quando tem a garganta sedenta.
Eis o texto:

"Diferentemente do Brasil, o ensino médio nos EUA não se caracteriza por buscar uma alta bagagem de conhecimentos, sejam matemáticos, históricos ou geográficos. A escola norte-americana é prática, além disso, procura, antes de tudo, formar cidadãos decididos, com fortes doses de auto-estima e confiança em si mesmos. Se, Nos EUA os jovens são educados desde cedo para se tornarem donos de seu próprio negócio, o brasileiro é preparado para ser empregado. É uma visão talvez um pouco cruel, mas uma realidade histórica. Desde os anos 70, quando teve início o crescimento dos cursos de economia e administração, a maioria daquela geração foi treinada para ser, no máximo, bons gerentes, quem sabe bons diretores e, se Deus ajudasse, bons presidentes de empresas. Mas isso tem mudado.
Cada vez mais, gerações de estudantes estão com uma visão diferente, já sonham com sua própria empresa e, acima de tudo, já trabalham em busca disso, dentro das salas de aula. Há pessoas com forte espírito empreendedor. No entanto, é preciso dar uma forcinha para formar futuros criadores e mantenedores de produtos e serviços de negócios diferenciados e bem-sucedidos. A primeira lição que o país precisa aprender é que empreendedorismo deve ser ensinado em sala de aula, abrindo a mente, a visão e a força de vontade do aluno para um futuro distante do cartão de ponto.Ser empreendedor é ter uma cabeça diferente, que nos liberte das amarras do emprego tradicional, em queda livre em praticamente todo o mundo. Se você deseja enveredar pela trilha do empreendedorismo, saiba que terá sucesso se souber imaginar, conceber e criar algo novo.
Podemos entender como novo um produto ou um serviço diferente do que já existe, visando a atender um público disposto a adquirir este produto ou serviço. E mais: não esqueça que os consumidores, cada vez mais, têm exigido algo que, além da qualidade, também forneça valor. Além da capacidade de ser muito criativo e ativo, o empreendedor precisa ser um bom administrador do tempo. Uma pessoa que seja dona do próprio nariz e do próprio negócio.Empreendedor não é nunca foi um cargo. Não conheço ninguém que seja gerente empreendedor de marketing ou diretor empreendedor de finanças. Ser empreendedor é uma questão de atitude. É a busca constante pela mudança, por coisas novas,mesmo em cenários cada vez mais mutantes e incertos. Cada vez mais, jovens estão se decidindo por esse caminho, que a cada dia se torna mais uma tendência mundial.
A crise financeira global demonstrou que as próprias empresas têm sérios problemas estruturais e até de inovação. Além de reverem seus negócios, muitas estão demitindo grandes quantidades de funcionários, o que reabriu a questão do futuro do emprego. Na opinião do pesquisador nessa área, Vicente Verdú da Universidade de Sorbonne, o emprego tradicional está com seus dias contados.Segundo o pesquisador, o emprego não vai acabar totalmente, mas terá uma drástica redução. Já o trabalho, vale lembrar,é algo bem diferente. Você pode trabalhar - e trabalhar muito - sem necessariamente estar empregado. Pode trabalhar prestado um serviço específico e pontual dentro de um prazo determinado, pode trabalhar desenvolvendo um projeto, empreendendo um novo negócio, entre outras muitas possibilidades. A partir desta ótica, o termo trabalho é muito mais abrangente do que emprego. Curiosamente, é nos tempos da chamada ''crise'' que nascem as grandes idéias, que se transformam em grandes projetos e que acabam criando grandes negócios. O que diferencia o empreendedor profissional do aventureiro de passagem é que o aventureiro tem uma pequena chance de obter sucesso. Mais ainda, mesmo obtendo este pseudo-sucesso, normalmente a prática dá conta de que o sucesso não é sustentável. Na prática um conjunto de fatores diferencia o sucesso contínuo do temporário e a palavra mágica é conhecimento."

Assim, depois de ler o texto em voz alta ,ela percebeu o que aquilo significava, entendeu o porquê do entusiasmo da sua mãe ao tratar a matéria do jornal do dia com tanta importância.
Aquele jovem, o autor do texto, traduziu em simples e claras palavras os pensamentos e idéias que seus pais sempre insistiram em transmitir a ela, os mesmos pensamentos que ela ouvira durante sua criação, e ainda ouvia.
Era típico de sua mãe trazer matérias, frases ou trabalhos com os quais se identificasse para discutir em casa, ratificar suas convicções e o mais importante: aprimorá-las, porque sim, sua mãe era uma mulher sempre disposta a aprender, a melhorar, talvez essa seja a sua maior virtude, tanto quanto suscitar desejos e sonhos em seus filhos. Jamais se esqueceu do dia, ainda criança, em que compartilhou com sua mãe seu profundo desejo de criar, inventar, mesmo não sabendo o quê exatamente e a reação que recebeu foi de extremo incentivo e apoio, e foi exatamente isto que ela recebeu de sua voz materna todas as vezes que confessava uma idéia grandiosa ou um sonho : incentivo e apoio.
Quanto ao seu pai, foi ele o responsável pelo despertar dessas idéias que estavam apenas adormecidas em sua mãe. Ele também era seu motivador,quantas vezes ela o ouvira dizer que existem pessoas que passam pela vida e só, enquanto existem outras que passam pela vida mas permanecem imortais pelas contribuições que proporcionaram ao mundo no seu tempo de existência.Ele semeava a semente que ela deixou germinar,florescer em si, até chegar a um ponto que esse ideal já estava inerente ao seu ser.Ela tinha orgulho do pai que ele era, não só pela lógica dos seus raciocínios e seu poder argumentativo que ela tinha prazer em vencer ( deliciosos minutos de razão) mas principalmente pela hombridade e honestidade das suas palavras.
Eles faziam parte daquele texto, ela viu o maior ensinamento de seus pais ali, naquela folha amassada de jornal.
Como é empolgante perceber que existem pessoas que pensam ou agem como você,o que a levou a perceber que quanto maior é a dificuldade de encontrar pensamentos similares aos seus, maior é o entusiasmo quando eles se encontram.
Afinal,pensamentos assim são raros pois provêm de pessoas incomuns.
Depois, imaginou a fusão dessas idéias, cujo resultado só poderia desencadear a explosão de mudanças,de descobertas, de novos caminhos e uma história diferente.
Naquele início de noite, respirou aliviada, estava a cada dia mais certa do caminho que queria seguir.








Tainá Lima

domingo, 5 de abril de 2009

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”


Amyr Klink




























that's it.

sábado, 14 de março de 2009

...or..?

Neste sábado de sol, dia de imprevistos desagradáveis, de pensamentos soltos e leves, lembrei-me de uma frase que anda vagando a minha mente já há algum tempo.
Pra ser sincera, não lembro da frase com todas as suas palavras e vírgulas, mas era algo como:

Metade dos erros que cometemos nesta vida acontecem porque usamos a razão quando deveríamos usar a emoção, e a outra metade ocorre porque usamos a emoção quando deveríamos usar a razão.

O problema não é errar, o problema é a chance, a oportunidade que só existe naquele momento, é o tempo que não volta.









/You and I both ( Jason Mraz )

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

J.B.

gotta ask yourself the question: Where are you now?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ir além

''A vida traz a cada um sua tarefa e, seja qual for a ocupação escolhida,álgebra, pintura, arquitetura, poesia, comércio, política - todas estão ao nosso alcance, até mesmo na realização de miraculosos triunfos, tuda na dependência para aquilo que temos aptidão: comece pelo começo, prossiga na ordem certa, passo a passo. É tão fácil retorcer âncoras de ferro e talhar canhões como entrelaçar palha, tão fácil ferver granito como ferver água, se você fizer todos os passos em ordem. Onde quer que haja insucesso é porque houve titubeio, houve alguma superstição sobre a sorte, algum passo omitido que a natureza jamais perdoa. Condições felizes de vida podem ser obtidas nos mesmos termos. A atração que elas suscintam é a promessa de que estão ao nosso alcance. Nossas preces são profetas. É preciso fidelidade, é preciso adesão firme. Quão respeitável é a vida que se aferra aos seus objetivos! As aspirações juvenis são coisas belas, suas teorias e planos de vida são legítimos e recomendáveis: mas você será fiel a eles? Nem um homem sequer, eu receio, naquele pátio repleto de gente, ou não mais que um em mil. E, quando você cobra deles a traição cometida, e os faz relembrar de suas altas resoluções, eles já não se recordam dos votos que fizeram. [...] A corrida é longa, e o ideal, legítimo, mas os homens são inconstantes e incertos. O herói é aquele imovelmente centrado. A principal diferença entre as pessoas parece ser a de que um homem é capaz de se submeter a obrigações das quais podemos depender - é obrigável; e outro não é. Como não há lei dentro de si, não há nada que o prenda."
Emerson (1860), aquele que brilhantemente traduz o que penso com meus botões.
E não, eu não quero fazer parte dos outros 999.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

...

"Porque somos nós a origem e o fim dos nossos projetos de vida. Por isso aplaudo Henry Thoreau: "A opinião pública não passa de um anêmico tirano se comparada à nossa própria opinião privada. Aquilo que um homem pensa de si mesmo - é isso que determina, ou antes indica, o seu destino". Basta essa citação para estabelecer a diferença, nem sempre entendida, entre auto-respeito e auto-estima: auto-estima pressupõe o olhar dos outros sobre nós; auto-respeito pressupõe o nosso olhar sobre nós próprios. Ao contrário do que afirmam os livros de auto-ajuda, só o auto-respeito merece ser cultivado: a opinião alheia é volátil e, muitas vezes, fonte de permanente escravidão. "
João Pereira Coutinho/Folha de S.Paulo

Fragmentos de pensamentos numa manhã de sexta feira chuvosa.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Novo ano


Luzes coloridas iluminam o céu. Garrafas de vinho são abertas em profusão. Espumantes. Sorrisos. Abraços. Gritos de alegria. Novas perspectivas. Metas a serem traçadas.Desejo de mudança. É o momento dos sonhos. É o novo. É um livro de páginas brancas que se abre naquele momento. É a chance de fazer melhor. Ser melhor. É o futuro. Será o presente. Um caminho a traçar. O recomeço em um amanhecer. Tudo ali. Na sala de estar. Olhando para a taça de champagne em minhas mãos. É a vida que continua...








Que venha 2009!





Tim tim.

domingo, 28 de dezembro de 2008

O tamanho de uma pessoa

Como se mede uma pessoa?
Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento.
Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena pra você quando só pensa em si mesmo, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.
Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto.
É pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições?
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande.
É a sua sensibilidade sem tamanho.

Martha Medeiros - porque são mais que textos; são lições de vida.

Porque o amor é impontual

Você está sozinho.
Você e a torcida do Flamengo.
Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.
Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser?
Amor nenhum faz chamadas por telepatia.
Amor não atende com hora marcada.
Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios.
Ele passa batido e você nem aí.
Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver.
Por que o amor nunca chega na hora certa?
Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema.
Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.
O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina.
Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você.
Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana.
Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros.
Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida.
O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.
O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste.
Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro.
Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole.
O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.
A primeira lição está dada: o amor é onipresente.
Agora a segunda: mas é imprevisível.
Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa.
O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza.
Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.


Mais uma vez, Martha Medeiros.

E eu aprendendo sempre...

sábado, 27 de dezembro de 2008

Elegância não é frescura

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detecta-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam, nas que escutam mais do que falam.
E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detecta-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detecta-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber disso...
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição.
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo.
É elegante a gentileza...Atitudes gentis, falam mais que mil imagens.
Abrir a porta para alguém... é muito elegante.
Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante.Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza pela observação,
Mas tentar imita-la é improdutiva.
A saída é desenvolver a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”.
Educação enferruja por falta de uso.
E, detalhe: não é frescura.


Martha Medeiros
é uma jornalista e escritora gaúcha. É colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro.



E ganhou a minha admiração. Sim Martha, não é frescura.

;)

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