domingo, 27 de dezembro de 2009

Revivendo meus prazeres

Dois horizontes fecham nossa vida:
Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro,—
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.

Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais;
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? – Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? – Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.
Dois horizontes fecham nossa vida.



















Machado de Assis, in 'Crisálidas'

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Wise Shakespeare

Love all, trust a few, do wrong to none.


trust a few,
To a person who thinks everybody has the right to have a chance,
I have to learn how to do this,

Oh boy, I really need to stop hurt myself.











I can't stand more deceptions.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Entre o familiar e o desconhecido

Era um dia típico em Manaus. Estava quente. O sol queimava a pele de quem andava descalço pelo asfalto da comunidade São Pedro, antiga Carbrás.Na esquina, num bar, um grupo de rapazes, distraía-se tomando uma birita enquanto jogavam conversa fora. Paro e peço uma coca. De repente, as vozes e as risadas que dominam o badalado botequim somem e dão espaço para o som das motocicletas e alguns carros que por ali passam deixando rastros de poeira no ar.

Eram três horas da tarde de uma terça-feira. Eu estava sedenta, e o refrigerante gelado.Mas o burburinho continuou, e o que era antes um bate-papo descontraído, transformou-se em um diálogo monossilábico : - É?!, não?!, pois é.., será? Sei não mano?!.Percebi então, que a presença de alguém nunca antes visto nas redondezas de uma comunidade onde comumente todos se conhecem – por contato diário ou por conversas de porta – poderia ser o fator causador desse clima estranho e infreqüente.

Foi então, que me dirigi ao grupo e perguntei: Vocês sabem onde fica a escola da comunidade São Pedro? Um deles, um tanto desconfiado respondeu: - A senhora segue direto essa mesma rua aqui e vai tá lá, a escola. Eu agradeci e enquanto seguia pelo caminho que me fora sugerido, pensava porque toda aquela estranheza, me lembrava das aulas de filosofia, a caverna de Platão, a ignorância, o sol – como ardia – a luz e a sabedoria. Pode parecer gozado, mas a explicação é simples: estranhamos o que ignoramos. E é assim com todo mundo, independente de cor, religião ou posição social, sempre que nos deparamos com algo inusual, surpreendemo-nos em função do desconhecido. Eu era “o estranho”naquele lugar “desconhecido”.

Foi fácil encontrar a escola que leva o nome de um dos ícones amazonenses da luta pelos direitos humanos: Nestor José Soeiro do Nascimento, e que instaurou-se como marco no resgate da cidadania das pessoas que ali vivem, pois na inauguração, o então prefeito Serafim Corrêa assinou o documento que desapropriou o terreno, o qual pertencia ao ex-prefeito de Parintins, Carlinhos da Cabrás,- devedor de mais de quatro milhões e meio de reais referente ao IPTU e que por isso deu-se à legalização da invasão, a qual se tornou Comunidade do Parque São Pedro.

No final de tarde, cansada, depois de ter observado as crianças alegres brincando no intervalo da aula de “barra-bandeira”, “amarelinha”, depois de ter visto duas senhoras nas varandas de suas casas tecendo algo que suponho ser um cesto de náilon, depois de ter conversado com moradores que passeavam pelas ruas em direção ao ponto de ônibus, depois de ter ficado surpresa com a quantidade de lojas de confecções, calçados, mercadinhos, mercearias que se alastram pelas ruas da comunidade, depois de alguns contatos, um pouco mais de familiarização com o ambiente, andava pelas ruas livremente como se fosse habitual, me sentindo parte do ritmo que ali se leva. E passando outra vez pelo tal barzinho, duas crianças numa bicicleta gritaram: Tchau moçaa!! Eu sorri e acenei, pensando que o que nos falta é a experiência, o convívio, o conhecimento para quebrar esse abismo que há entre o familiar e o desconhecido.

Tainá Lima

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ensinamento familiar

A mãe moderna, carismática, segura, sensível chega em casa e diz à filha mais velha que há algo que ela precisa ver. A primogênita, a princípio, não entende o motivo pelo qual levaria a sua genitora a pedir num tom de ordem a sua presença no quarto. Suspeitou até que houvesse alguma tensão no assunto ou alguma outra coisa que ela não podia imaginar.
E não imaginou mesmo, era uma reportagem, um artigo do jornal local da seção de economia e o título era: Empreender requer estudo, escrita por um jovem chamado Renilson Silva.
Ela imaginou tudo, menos isso: um artigo! e foi então que intencionalmente ou não, a mãe despertou uma curiosidade tamanha naquela jovem que leu as palavras como quem bebe um copo de água quando tem a garganta sedenta.
Eis o texto:

"Diferentemente do Brasil, o ensino médio nos EUA não se caracteriza por buscar uma alta bagagem de conhecimentos, sejam matemáticos, históricos ou geográficos. A escola norte-americana é prática, além disso, procura, antes de tudo, formar cidadãos decididos, com fortes doses de auto-estima e confiança em si mesmos. Se, Nos EUA os jovens são educados desde cedo para se tornarem donos de seu próprio negócio, o brasileiro é preparado para ser empregado. É uma visão talvez um pouco cruel, mas uma realidade histórica. Desde os anos 70, quando teve início o crescimento dos cursos de economia e administração, a maioria daquela geração foi treinada para ser, no máximo, bons gerentes, quem sabe bons diretores e, se Deus ajudasse, bons presidentes de empresas. Mas isso tem mudado.
Cada vez mais, gerações de estudantes estão com uma visão diferente, já sonham com sua própria empresa e, acima de tudo, já trabalham em busca disso, dentro das salas de aula. Há pessoas com forte espírito empreendedor. No entanto, é preciso dar uma forcinha para formar futuros criadores e mantenedores de produtos e serviços de negócios diferenciados e bem-sucedidos. A primeira lição que o país precisa aprender é que empreendedorismo deve ser ensinado em sala de aula, abrindo a mente, a visão e a força de vontade do aluno para um futuro distante do cartão de ponto.Ser empreendedor é ter uma cabeça diferente, que nos liberte das amarras do emprego tradicional, em queda livre em praticamente todo o mundo. Se você deseja enveredar pela trilha do empreendedorismo, saiba que terá sucesso se souber imaginar, conceber e criar algo novo.
Podemos entender como novo um produto ou um serviço diferente do que já existe, visando a atender um público disposto a adquirir este produto ou serviço. E mais: não esqueça que os consumidores, cada vez mais, têm exigido algo que, além da qualidade, também forneça valor. Além da capacidade de ser muito criativo e ativo, o empreendedor precisa ser um bom administrador do tempo. Uma pessoa que seja dona do próprio nariz e do próprio negócio.Empreendedor não é nunca foi um cargo. Não conheço ninguém que seja gerente empreendedor de marketing ou diretor empreendedor de finanças. Ser empreendedor é uma questão de atitude. É a busca constante pela mudança, por coisas novas,mesmo em cenários cada vez mais mutantes e incertos. Cada vez mais, jovens estão se decidindo por esse caminho, que a cada dia se torna mais uma tendência mundial.
A crise financeira global demonstrou que as próprias empresas têm sérios problemas estruturais e até de inovação. Além de reverem seus negócios, muitas estão demitindo grandes quantidades de funcionários, o que reabriu a questão do futuro do emprego. Na opinião do pesquisador nessa área, Vicente Verdú da Universidade de Sorbonne, o emprego tradicional está com seus dias contados.Segundo o pesquisador, o emprego não vai acabar totalmente, mas terá uma drástica redução. Já o trabalho, vale lembrar,é algo bem diferente. Você pode trabalhar - e trabalhar muito - sem necessariamente estar empregado. Pode trabalhar prestado um serviço específico e pontual dentro de um prazo determinado, pode trabalhar desenvolvendo um projeto, empreendendo um novo negócio, entre outras muitas possibilidades. A partir desta ótica, o termo trabalho é muito mais abrangente do que emprego. Curiosamente, é nos tempos da chamada ''crise'' que nascem as grandes idéias, que se transformam em grandes projetos e que acabam criando grandes negócios. O que diferencia o empreendedor profissional do aventureiro de passagem é que o aventureiro tem uma pequena chance de obter sucesso. Mais ainda, mesmo obtendo este pseudo-sucesso, normalmente a prática dá conta de que o sucesso não é sustentável. Na prática um conjunto de fatores diferencia o sucesso contínuo do temporário e a palavra mágica é conhecimento."

Assim, depois de ler o texto em voz alta ,ela percebeu o que aquilo significava, entendeu o porquê do entusiasmo da sua mãe ao tratar a matéria do jornal do dia com tanta importância.
Aquele jovem, o autor do texto, traduziu em simples e claras palavras os pensamentos e idéias que seus pais sempre insistiram em transmitir a ela, os mesmos pensamentos que ela ouvira durante sua criação, e ainda ouvia.
Era típico de sua mãe trazer matérias, frases ou trabalhos com os quais se identificasse para discutir em casa, ratificar suas convicções e o mais importante: aprimorá-las, porque sim, sua mãe era uma mulher sempre disposta a aprender, a melhorar, talvez essa seja a sua maior virtude, tanto quanto suscitar desejos e sonhos em seus filhos. Jamais se esqueceu do dia, ainda criança, em que compartilhou com sua mãe seu profundo desejo de criar, inventar, mesmo não sabendo o quê exatamente e a reação que recebeu foi de extremo incentivo e apoio, e foi exatamente isto que ela recebeu de sua voz materna todas as vezes que confessava uma idéia grandiosa ou um sonho : incentivo e apoio.
Quanto ao seu pai, foi ele o responsável pelo despertar dessas idéias que estavam apenas adormecidas em sua mãe. Ele também era seu motivador,quantas vezes ela o ouvira dizer que existem pessoas que passam pela vida e só, enquanto existem outras que passam pela vida mas permanecem imortais pelas contribuições que proporcionaram ao mundo no seu tempo de existência.Ele semeava a semente que ela deixou germinar,florescer em si, até chegar a um ponto que esse ideal já estava inerente ao seu ser.Ela tinha orgulho do pai que ele era, não só pela lógica dos seus raciocínios e seu poder argumentativo que ela tinha prazer em vencer ( deliciosos minutos de razão) mas principalmente pela hombridade e honestidade das suas palavras.
Eles faziam parte daquele texto, ela viu o maior ensinamento de seus pais ali, naquela folha amassada de jornal.
Como é empolgante perceber que existem pessoas que pensam ou agem como você,o que a levou a perceber que quanto maior é a dificuldade de encontrar pensamentos similares aos seus, maior é o entusiasmo quando eles se encontram.
Afinal,pensamentos assim são raros pois provêm de pessoas incomuns.
Depois, imaginou a fusão dessas idéias, cujo resultado só poderia desencadear a explosão de mudanças,de descobertas, de novos caminhos e uma história diferente.
Naquele início de noite, respirou aliviada, estava a cada dia mais certa do caminho que queria seguir.








Tainá Lima

domingo, 5 de abril de 2009

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”


Amyr Klink




























that's it.

sábado, 14 de março de 2009

...or..?

Neste sábado de sol, dia de imprevistos desagradáveis, de pensamentos soltos e leves, lembrei-me de uma frase que anda vagando a minha mente já há algum tempo.
Pra ser sincera, não lembro da frase com todas as suas palavras e vírgulas, mas era algo como:

Metade dos erros que cometemos nesta vida acontecem porque usamos a razão quando deveríamos usar a emoção, e a outra metade ocorre porque usamos a emoção quando deveríamos usar a razão.

O problema não é errar, o problema é a chance, a oportunidade que só existe naquele momento, é o tempo que não volta.









/You and I both ( Jason Mraz )

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

J.B.

gotta ask yourself the question: Where are you now?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Ir além

''A vida traz a cada um sua tarefa e, seja qual for a ocupação escolhida,álgebra, pintura, arquitetura, poesia, comércio, política - todas estão ao nosso alcance, até mesmo na realização de miraculosos triunfos, tuda na dependência para aquilo que temos aptidão: comece pelo começo, prossiga na ordem certa, passo a passo. É tão fácil retorcer âncoras de ferro e talhar canhões como entrelaçar palha, tão fácil ferver granito como ferver água, se você fizer todos os passos em ordem. Onde quer que haja insucesso é porque houve titubeio, houve alguma superstição sobre a sorte, algum passo omitido que a natureza jamais perdoa. Condições felizes de vida podem ser obtidas nos mesmos termos. A atração que elas suscintam é a promessa de que estão ao nosso alcance. Nossas preces são profetas. É preciso fidelidade, é preciso adesão firme. Quão respeitável é a vida que se aferra aos seus objetivos! As aspirações juvenis são coisas belas, suas teorias e planos de vida são legítimos e recomendáveis: mas você será fiel a eles? Nem um homem sequer, eu receio, naquele pátio repleto de gente, ou não mais que um em mil. E, quando você cobra deles a traição cometida, e os faz relembrar de suas altas resoluções, eles já não se recordam dos votos que fizeram. [...] A corrida é longa, e o ideal, legítimo, mas os homens são inconstantes e incertos. O herói é aquele imovelmente centrado. A principal diferença entre as pessoas parece ser a de que um homem é capaz de se submeter a obrigações das quais podemos depender - é obrigável; e outro não é. Como não há lei dentro de si, não há nada que o prenda."
Emerson (1860), aquele que brilhantemente traduz o que penso com meus botões.
E não, eu não quero fazer parte dos outros 999.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

...

"Porque somos nós a origem e o fim dos nossos projetos de vida. Por isso aplaudo Henry Thoreau: "A opinião pública não passa de um anêmico tirano se comparada à nossa própria opinião privada. Aquilo que um homem pensa de si mesmo - é isso que determina, ou antes indica, o seu destino". Basta essa citação para estabelecer a diferença, nem sempre entendida, entre auto-respeito e auto-estima: auto-estima pressupõe o olhar dos outros sobre nós; auto-respeito pressupõe o nosso olhar sobre nós próprios. Ao contrário do que afirmam os livros de auto-ajuda, só o auto-respeito merece ser cultivado: a opinião alheia é volátil e, muitas vezes, fonte de permanente escravidão. "
João Pereira Coutinho/Folha de S.Paulo

Fragmentos de pensamentos numa manhã de sexta feira chuvosa.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Novo ano


Luzes coloridas iluminam o céu. Garrafas de vinho são abertas em profusão. Espumantes. Sorrisos. Abraços. Gritos de alegria. Novas perspectivas. Metas a serem traçadas.Desejo de mudança. É o momento dos sonhos. É o novo. É um livro de páginas brancas que se abre naquele momento. É a chance de fazer melhor. Ser melhor. É o futuro. Será o presente. Um caminho a traçar. O recomeço em um amanhecer. Tudo ali. Na sala de estar. Olhando para a taça de champagne em minhas mãos. É a vida que continua...








Que venha 2009!





Tim tim.

domingo, 28 de dezembro de 2008

O tamanho de uma pessoa

Como se mede uma pessoa?
Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento.
Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena pra você quando só pensa em si mesmo, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.
Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto.
É pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições?
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande.
É a sua sensibilidade sem tamanho.

Martha Medeiros - porque são mais que textos; são lições de vida.

Porque o amor é impontual

Você está sozinho.
Você e a torcida do Flamengo.
Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.
Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser?
Amor nenhum faz chamadas por telepatia.
Amor não atende com hora marcada.
Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios.
Ele passa batido e você nem aí.
Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver.
Por que o amor nunca chega na hora certa?
Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema.
Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.
O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina.
Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você.
Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana.
Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros.
Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida.
O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.
O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste.
Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro.
Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole.
O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.
A primeira lição está dada: o amor é onipresente.
Agora a segunda: mas é imprevisível.
Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa.
O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza.
Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.


Mais uma vez, Martha Medeiros.

E eu aprendendo sempre...

sábado, 27 de dezembro de 2008

Elegância não é frescura

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detecta-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam, nas que escutam mais do que falam.
E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detecta-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detecta-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber disso...
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição.
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo.
É elegante a gentileza...Atitudes gentis, falam mais que mil imagens.
Abrir a porta para alguém... é muito elegante.
Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante.Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza pela observação,
Mas tentar imita-la é improdutiva.
A saída é desenvolver a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”.
Educação enferruja por falta de uso.
E, detalhe: não é frescura.


Martha Medeiros
é uma jornalista e escritora gaúcha. É colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro.



E ganhou a minha admiração. Sim Martha, não é frescura.

;)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Aprendizado

"... Dias inteiros de calmaria, noites de ardentia, dedos no leme e olhos no horizonte, descobri a alegria de transformar distâncias em tempo. Um tempo em que aprendi a entender as coisas do mar, a conversar com as grandes ondas e não discutir com o mau tempo. A transformar o medo em respeito, o respeito em confiança. Descobri como é bom chegar quando se tem paciência. E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso, antes de mais nada querer."

Amyr Klink



E eu quero.

sábado, 8 de novembro de 2008

Ela

E então ela chegou em casa.
Tirou os pesados e sofisticados brincos de sua orelha pensando no que tinha acabado de viver.
Era uma sensação de incompreensão pura.
Estavam todos ao seu redor, felizes, alegres, satisfeitos, esfuziantes de paixão.E ela não entendia o porquê.
O motivo deles era banal aos olhos dela, se satisfaziam com álcool, cigarros e sexo.Nada mais importava a não ser aquele mundinho de crianças afoitas para se tornarem adultos. E este seria o caminho da maturidade, o da experiência própria, custasse o que custar.
Mas o que a intrigava não era o divertimento deles,afinal era natural, jovens pensam assim, agem assim, oras, são jovens, têm o direito de serem imaturos, pois é o que se espera.O que a deixava aflita enquanto já tirava os sapatos e massageava levemente os pés, era pensar que ela não compartilhava daquilo.Embora estivesse ali, no meio de todos,recebendo as boas-vindas daqueles que a saudavam sem nem mesmo a conhecer, se sentia só.
Ela sofria em seu íntimo o fardo de ter aprendido muito cedo - pelo menos em relação aos que a cercam - a pensar nos valores e princípios da vida, sofria por saber que a vida ia além daquilo que se julgava normal na juventude, sofria por saber que eles podiam ser melhores do que ''aventureiros juvenis'', eles podiam se aventurar no que a vida é, e não no que parece ser. Ela sabia do que era capaz.Ela sabia o que era, e não era aquilo ali.Era diferente. Era mais.
E esse era o âmago de suas aflições, pois embora ela soubesse da sua capacidade de ser humano que já se fizera notório e exceção aos olhos de todos -e por isso a admiravam-,ela não se sentia feliz como eles.Ela tinha tudo pra ser mais feliz também, mas não era.E esse era o preço que pagava por não estar no lugar onde deveria.Era o preço que ela pagava por não ser normal.
E foi por isso que antes de dormir naquela noite, falou baixinho que queria ser normal, era mais fácil ser feliz. A vida seria supérflua.
Porém já era tarde demais. Ela já estava além. Agora era só uma questão de tempo para encontrar seu espaço nesse mundo, ao lado daqueles que já não podem retroceder seus pensamentos porque suas mentes já não são mais as mesmas. Novos caminhos foram descobertos.
Ela estava viva, e nunca teve tanta vontade de viver. Ainda estava começando...
Apagou a luz e foi dormir, ávida pelo outro dia.
















Tainá Lima

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Vitalidade perpétua

Repleta de povos indígenas, os quais por muito tempo foram os únicos a conhecerem seus mistérios e riquezas naturais, foi também alvo da busca pelas cobiçadas drogas do sertão e ainda em princípios do século XX, era a atenção global de um mercado dependente da borracha extraída de suas inúmeras seringueiras. Some-se a isso anos vorazes de exploração predatória,e definitivamente podemos afirmar que a Amazônia não é mais a mesma.

A floresta que se notabilizou pela singularidade da sua fauna e flora esplêndidas, está diferente daquilo que se esperava ser a maior área de reserva florestal do planeta. É fato que as alterações nem um pouco positivas que vêm ocorrendo desde os tempos coloniais e que têm se intensificado nos últimos anos na floresta amazônica, são notoriamente conseqüências da falta de compromisso e consciência de um mercado explorador, que , se necessário, é capaz de antepor o lucro à vida.

A questão que envolve a saúde da biodiversidade da Amazônia está intrínseca ao trabalho de milhares de pessoas que dependem da exploração da floresta para sobreviver. A exemplo disto temos as populações ribeirinhas que vivem dos recursos naturais da selva, bem como os proprietários de extensas áreas verdes dentro da mata, os quais as desmatam imprudentemente e logo após as usam como pastagens para a criação de gado.No entanto, vale ressaltar que a diferença entre essas duas formas de exploração está no valor semântico da palavra equilíbrio.

Enquanto o ribeirinho retira da mata apenas o que ele necessita para o seu sustento - o que pouco contribui para o extermínio da floresta, analogamente seria como tirar por dia um balde de água do oceano - o homem da serra e do gado retira e aproveita os recursos da selva visando ao lucro, ao comércio de exportação e, ao seu benefício próprio, benefício este centrado nas lógicas do mercado capitalista e que portanto não o permite enxergar os resultados desastrosos de suas ações irrefutáveis na floresta.

Ações irrefutáveis, mas não irrevogáveis, pois ainda há tempo de nos livrarmos do que seria a apoteose das irresponsabilidades humanas – se permitirmos a extinção da Amazônia – e pararmos um pouco a nossa rotina cerceada de obrigações imediatistas e supérfluas , afim de incitar-nos a preocupação com a floresta que carrega no verde das suas folhas latifoliadas a certeza de um futuro mais duradouro para a humanidade.

Para tanto é fundamental que as próximas gerações, através do esforço e da consciência emitidos pelas nossa época, possam crescer acreditando que desenvolvimento e preservação ambiental, sempre que houver respeito entre ambos, podem existir concomitantemente. Estaríamos, dessa forma, construindo aquilo que será a Amazônia amanhã: sinônimo de vida e eternidade.




Tainá Lima

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Primeiro a chuva, depois o sol

Já está escuro, o vento que entra pela janela do meu quarto traz em seu movimento leve e suave, o perfurme das folhagens lá de fora, fazendo de maneira espontânea o prenúncio da chuva que está por vir e que eu mal posso esperar.
A bem da verdade, é que depois de um dia fatigado de tanto sol, uma chuva,por mais breve que esta possa ser, é tudo o que se mais deseja, junto, é claro, com o merecido descanso que toda sexta-feira deve proporcionar, ou deveria.
Nessa atmosfera de mudança e de circunstâncias propícias para o alívio do espírito, é que encontro, em meio a um artigo sobre a crise ética no mundo contemporâneo, - tão bem escrito pelo professor Pedro Goergen,vale ressaltar - algo que, não imaginaria eu, pudesse despertar em mim um daqueles pensamentos intrigantes que só nos deixam quando levam um pouco de nós mesmos com eles, isto é, quando levam consigo a resposta sobre a questão que instantaneamente nos é apresentada, e que inevitavelmente e não menos urgentemente, tentamos resolver.
Tudo começou quando li a seguinte frase:
Agir moralmente significa agir em conformidade com as normas estabelecidas na sociedade.
Aplicando esse conceito no contexto atual, surpreendo-me indagando:
E o que acontece quando as regras exemplificadas pela sociedade são isentas de valor moral?
Nesse caso, agir moralmente seria agir imoralmente?
Sendo assim, por outro lado, o que é imoral aos olhos da sociedade, é o que os homens bons costumam chamar de verdadeira moral?
Pois bem, daí em diante, não houve mais sossego.
Uma série de perguntas se desenvolveram mentalmente, e em instantes, estava eu ali, na cadeira do meu quarto, olhando fixadamente para a tela do computador como se estivesse absorta em um mundo paralelo, quando na verdade, só estava refletindo sobre o verdadeiro, o real mundo a que estou inserida, como tantos outros.
Começou a chover. E suspeito, que é esse cheiro de terra molhada bem como a imagem das gotículas de água que escorrem pelo vidro da janela, que me ajudam a colher o melhor das minhas pertubadoras indagações, ou pelo menos o suficiente para ter uma boa noite de sono.
Sim, é verdade, a sociedade contemporânea vive uma permanente e contraditória crise de valores.
Valores humanos, outrora tão bem definidos e esclarecidos, que foram justamente os principais motivos pela unificação de um sistema social mais democrático, mais justo, capaz de preservar a dignidade de cada ser, estão agora perdidos.
Mas por quê?
Porque a vaidade humana, assim como o discurso vazio e inseguro dos prepotentes,e sobretudo o egocentrismo, arruinaram o imprescindível para o convívio em sociedade : o respeito.
Acredito que se deva fazer como a chuva: aproveitar as lágrimas de desgosto e sofrimento para limpar todo o pseudo-moralismo e desrespeito da sociedade contemporânea e finalmente, pôr fim a essa desgastante e perniciosa crise humana.
E quem sabe um dia, o sol apareça brilhante e novo, como a mudança há de ser.
Tainá Lima

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Apelo feminino

Desde o século XVIII, a mulher vem lutando por um espaço mais abrangente na sociedade, um espaço capaz de dar à ela os mesmos direitos dos homens, capaz de quebrar paradigmas e solidificar a imagem de mulher dona de si, dona do mundo.
Foi Olympe de Gouges, precursora do movimento feminista, que em 1791 disse a frase: ''Se a mulher tem o direito de subir no cadafalso, deve ter também o direito de subir numa tribuna." Mais tarde, sua afirmação passou a ser o slogan da emancipação feminista, arrebatando aliadas por toda parte e transcedendo os séculos.
Mas foi somente em 1920, depois de muitas lutas, conflitos ideológicos com o Estado e a sociedade patriarcal da época, que as mulheres estadunidenses adquiriram o direito do voto, disseminando assim esse novo modelo de sociabilidade: mais igualitária, mais justa e coerente por aonde quer que a brisa feminina do vento passasse.
Pois bem, Bravo mulheres! Conseguimos!
Já podemos votar como os homens, trabalhar como os homens, ter salários como os homens,ser donas do nosso corpo como os homens são do corpo deles.
Já podemos ser como os homens.
E aqui, a confusão começa.
Assustadoramente, as mulheres estão ''copiando'' os homens até nos mais terríveis e repugnantes costumes masculinos. Através do argumento e do pensamento de que '' temos direitos iguais", o sexo feminino tem deixado toda a sua graça e beleza se esvaírem pelas frases repletas de palavrões e indecências , pelas altas doses alcoólicas que tomam nas baladas ( levando-as à total perda de sentidos e tornando-as mais vulneráveis ao sexo masculino),pelas traições cada vez mais constantes e notórias sem qualquer espécie de condenação por isso.
O mais intrigante é que, nós mulheres, estamos nos comportando hoje com as mesmas atitudes que condenávamos nos homens alguns anos atrás.
Para algumas, aquelas que se valem do princípio de Talião ( olho por olho, dente por dente), estamos dando o troco, pagando na mesma moeda, revidando, promovendo a nossa vingança por todas as vezes que aceitamos sem poder questionar tais indecorosas ações masculinas.
Mas para mim, é mais do que um conflito dualista de sexos opostos, é uma questão moral.
Nessa briga infantil de ''eu também posso'' a mulher esqueceu de ser mulher, esqueceu que a aquisição de todos esses direitos outrora inexistentes, não a colocaria na mesma posição de capacidade do homem.Ela,com toda a sua sensibilidade e flexibilidade , estaria acima, bem acima do seu adversário.
E o homem sabe da sua inferioridade diante de uma verdadeira mulher, mulher cujo olhar provoca sem agredir, cujas palavras mais difíceis de expressar soam naturais, cuja sensualidade está implícita na elegância dos seus gestos.
O homem é tão consciente da sua condição de subalternidade à mulher, que adiou o quanto pôde a liberação dos mesmos direitos sociais que ele detinha, pois ele sabia que depois da emancipação dos direitos femininos, nada o faria melhor do que ela.
Logo, digo às mulheres vingativas, que ainda não superaram os comportamentos inescrupulosos do sexo masculino, que vinguem-se sim.Para tanto, mostrem que não precisam do álcool, ou do cigarro, nem de roupas vulgares e tampouco de outros homens para serem as mulheres que gostariam ser.
Sim, mulheres.
Porque somos capazes de tudo, e os homens do que resta.
Tainá Lima.

sábado, 12 de julho de 2008

Tirando a poeira

O comentário que segue é motivado pelo livro de uma senhora chamada Rosamunde Pilcher, culpada pelas olheiras que me perseguiram por algumas semanas, devido às madrugadas que fiquei acordada me deliciando com o seu maravilhoso talento de escrever.

Li Os catadores de conchas a primeira vez e fiquei fascinada como palavras tão simples podem expressar tanto.

Aqui vai a prova do que digo :

Se alguém que respeitamos acha que somos capazes de fazer alguma coisa, em geral é verdade.

A ganância e a cobiça têm um poder destrutivo tão devastador quanto a inveja, separando pais e filhos, irmãos e irmãs, em caráter irrevogável.



Hoje, por motivos nostálgicos talvez, decidi reabrí-lo.

Fui à prateleira de livros, e ele estava lá, com sua capa cor de areia e o título em letras finas e elegantes, representando sem saber, o melhor dos romances que tenho.

Comecei a ler a introdução, reescrita pela autora em 1997 - quando o livro comemorava 10 anos de lançamento e sucesso no mercado mundial - e a sensação de uma nova interpretação para as palavras ali tão bem escritas, brotou em mim.

Fascinante isto:

Depois de quase três anos, o prazer de lê-lo é o mesmo, mas o sabor é outro.

Acho que as palavras de Heráclito, poderiam se encaixar aqui :

Ninguém passa pelo mesmo rio duas vezes.

Deve ser assim com os livros também; a cada nova leitura, se transforma em um novo livro.

Não é à toa que Os catadores de conchas, é o que é.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

De vários tamanhos

"Quem não traz na cabeça um grãozinho de ambição?"

( Jean de La Fontaine )

Digamos que esse grãozinho, seja uma semente de abacate em mim.




:D

Think about