Luis Fernando Verissimo
Homem que é Homem não usa camiseta sem manga, a não ser para jogar basquete. Homem que é Homem não gosta de canapés, de cebolinhas em conserva ou de qualquer outra coisa que leve menos de 30 segundos para mastigar e engolir. Homem que é Homem não come suflê. Homem que é Homem — de agora em diante chamado HQEH — não deixa sua mulher mostrar a bunda para ninguém, nem em baile de carnaval. HQEH não mostra a sua bunda para ninguém. Só no vestiário, para outros homens, e assim mesmo, se olhar por mais de 30 segundos, dá briga.
HQEH só vai ao cinema ver filme do Franco Zeffirelli quando a mulher insiste muito, e passa todo o tempo tentando ver as horas no escuro. HQEH não gosta de musical, filme com a Jill Clayburgh ou do Ingmar Bergman. Prefere filmes com o Lee Marvin e Charles Bronson. Diz que ator mesmo era o Spencer Tracy, e que dos novos, tirando o Clint Eastwood, é tudo veado.
HQEH não vai mais a teatro porque também não gosta que mostrem a bunda à sua mulher. Se você quer um HQEH no momento mais baixo de sua vida, precisa vê-lo no balé. Na saída ele diz que até o porteiro é veado e que se enxergar mais alguém de malha justa, mata.
E o HQEH tem razão. Confesse, você está com ele. Você não quer que pensem que você é um primitivo, um retrógrado e um machista, mas lá no fundo você torce pelo HQEH. Claro, não concorda com tudo o que ele diz. Quando ele conta tudo o que vai fazer com a Feiticeira no dia em que a pegar, você sacode a cabeça e reflete sobre o componente de misoginia patológica inerente à jactância sexual do homem latino. Depois começa a pensar no que faria com a Feiticeira se a pegasse. Existe um HQEH dentro de cada brasileiro, sepultado sob camadas de civilização, de falsa sofisticação, de propaganda feminina e de acomodação. Sim, de acomodação. Quantas vezes, atirado na frente de um aparelho de TV vendo a novela das 8 — uma história invariavelmente de humilhação, renúncia e superação femininas — você não se perguntou o que estava fazendo que não dava um salto, vencia a resistência da família a pontapés e procurava uma reprise do Manix em outro canal? HQEH só vê futebol na TV. Bebendo cerveja. E nada de cebolinhas em conserva! HQEH arrota e não pede desculpas.
*
Se você não sabe se tem um HQEH dentro de você, faça este teste. Leia esta série de situações. Estude-as, pense, e depois decida como você reagiria em cada situação. A resposta dirá o seu coeficiente de HQEH. Se pensar muito, nem precisa responder: você não é HQEH. HQEH não pensa muito!
Situação 1
Você está num restaurante com nome francês. O cardápio é todo escrito em francês. Só o preço está em reais. Muitos reais. Você pergunta o que significa o nome de um determinado prato ao maître. Você tem certeza que o maître está se esforçando para não rir da sua pronúncia. O maître levará mais tempo para descrever o prato do que você para comê-lo, pois o que vem é uma pasta vagamente marinha em cima de uma torrada do tamanho aproximado de uma moeda de um real, embora custe mais de cem. Você come de um golpe só, pensando no que os operários são obrigados a comer. Com inveja. Sua acompanhante pergunta qual é o gosto e você responde que não deu tempo para saber. 0 prato principal vem trocado. Você tem certeza que pediu um "Boeuf à quelque chose" e o que vem é uma fatia de pato sem qualquer acompanhamento. Só. Bem que você tinha notado o nome: "Canard melancolique". Você a princípio sente pena do pato, pela sua solidão, mas muda de idéia quando tenta cortá-lo. Ele é um duro, pode agüentar. Quando vem a conta, você nota que cobraram pelo pato e pelo "boeuf' que não veio. Você: a) paga assim mesmo para não dar à sua acompanhante a impressão de que se preocupa com coisas vulgares como o dinheiro, ainda mais o brasileiro; b) chama discretamente o maître e indica o erro, sorrindo para dar a entender que, "Merde, alors", estas coisas acontecem; ou c) vira a mesa, quebra uma garrafa de vinho contra a parede e, segurando o gargalo, grita: "Eu quero o gerente e é melhor ele vir sozinho!
Situação 2
Você foi convencido pela sua mulher, namorada ou amiga — se bem que HQEH não tem "amigas", quem tem "amigas" é veado — a entrar para um curso de Sensitivação Oriental. Você reluta em vestir a malha preta, mas acaba sucumbindo. O curso é dado por um japonês, provavelmente veado. Todos sentam num círculo em volta do japonês, na posição de lótus. Menos você, que, como está um pouco fora de forma, só pode sentar na posição do arbusto despencado pelo vento.
Durante 15 minutos todos devem fechar os olhos, juntar as pontas dos dedos e fazer "rom", até que se integrem na Grande Corrente Universal que vem do Tibete, passa pelas cidades sagradas da Índia e do Oriente Médio e, estranhamente, bem em cima do prédio do japonês, antes de voltar para o Oriente. Uma vez atingido este estágio, todos devem virar para a pessoa ao seu lado e estudar seu rosto com as pontas dos dedos. Não se surpreendendo se o japonês chegar por trás e puxar as suas orelhas com força para lembrá-lo da dualidade de todas as coisas. Durante o "rom" você faz força, mas não consegue se integrar na grande corrente universal, embora comece a sentir uma sensação diferente que depois revela-se ser câimbra. Você: a) finge que atingiu a integração para não cortar a onda de ninguém; b) finge que não entendeu bem as instruções, engatinha fazendo "rom" até o lado daquela grande loura e, na hora de tocar o seu rosto, erra o alvo e agarra os seios, recusando-se a soltá-los mesmo que o japonês quase arranque as suas orelhas; c) diz que não sentiu nada, que não vai seguir adiante com aquela bobagem, ainda mais de malha preta, e que é tudo coisa de veado.
Situação 3
Você está numa daquelas reuniões em que há lugares de sobra para sentar, mas todo mundo senta no chão. Você não quis ser diferente, se atirou num almofadão colorido e tarde demais descobriu que era a dona da casa. Sua mulher ou namorada está tendo uma conversa confidencial, de mãos dadas, com uma moça que é a cara do Charlton Heston, só que de bigode. O jantar é à americana e você não tem mais um joelho para colocar o seu copo de vinho enquanto usa os outros dois para equilibrar o prato e cortar o pedaço de pato, provavelmente o mesmo do restaurante francês, só que algumas semanas mais velho. Aí o cabeleireiro de cabelo mechado ao seu lado oferece:
— Se quiser usar o meu...
— O seu...?
— Joelho.
— Ah...
— Ele está desocupado.
— Mas eu não o conheço.
— Eu apresento. Este é o meu joelho.
— Não. Eu digo, você...
— Eu, hein? Quanta formalidade. Aposto que se eu estivesse oferecendo a perna toda você ia pedir referências. Ti-au.
Você: a) resolve entrar no espírito da festa e começa a tirar as calças; b) leva seu copo de vinho para um canto e fica, entre divertido e irônico, observando aquele curioso painel humano e organizando um pensamento sobre estas sociedades tropicais, que passam da barbárie para a decadência sem a etapa intermediária da civilização; ou c) pega sua mulher ou namorada e dá o fora, não sem antes derrubar o Charlton Heston com um soco.
Se você escolheu a resposta a para todas as situações, não é um HQEH. Se você escolheu a resposta b, não é um HQEH. E se você escolheu a resposta c, também não é um HQEH. Um HQEH não responde a testes. Um HQEH acha que teste é coisa de veado.
Este país foi feito por Homens que eram Homens. Os desbravadores do nosso interior bravio não tinham nem jeans, quanto mais do Pierre Cardin. O que seria deste pais se Dom Pedro I tivesse se atrasado no dia 7 em algum cabeleireiro, fazendo massagem facial e cortando o cabelo à navalha? E se tivesse gritado, em vez de "Independência ou Morte", "Independência ou Alternativa Viável, Levando em Consideração Todas as Variáveis!"? Você pode imaginar o Rui Barbosa de sunga de crochê? O José do Patrocínio de colant? 0 Tiradentes de kaftan e brinco numa orelha só? Homens que eram Homens eram os bandeirantes. Como se sabe, antes de partir numa expedição, os bandeirantes subiam num morro em São Paulo e abriam a braguilha. Esperavam até ter uma ereção e depois seguiam na direção que o pau apontasse. Profissão para um HQEH é motorista de caminhão. Daqueles que, depois de comer um mocotó com duas Malzibier, dormem na estrada e, se sentem falta de mulher, ligam o motor e trepam com o radiador. No futebol HQEH é beque central, cabeça-de-área ou centroavante. Meio-de-campo é coisa de veado. Mulher do amigo de Homem que é Homem é homem. HQEH não tem amizade colorida, que é a sacanagem por outros meios. HQEH não tem um relacionamento adulto, de confiança mútua, cada um respeitando a liberdade do outro, numa transa, assim, extraconjugal mas assumida, entende? Que isso é papo de mulher pra dar pra todo mundo. HQEH acha que movimento gay é coisa de veado.
HQEH nunca vai a vernissage.
HQEH não está lendo a Marguerite Yourcenar, não leu a Marguerite Yourcenar e não vai ler a Marguerite Yourcenar.
HQEH diz que não tem preconceito mas que se um dia estivesse numa mesma sala com todas as cantoras da MPB, não desencostaria da parede.
Coisas que você jamais encontrará em um HQEH:
batom neutro para lábios ressequidos, pastilhas para refrescar o hálito,
o telefone do Gabeira,
entradas para um espetáculo de mímica.
Coisas que você jamais deve dizer a um HQEH: "
Ton sur ton",
"Vamos ao balé?",
"Prove estas cebolinhas".
Coisas que você jamais vai ouvir um HQEH dizer:
"Assumir",
"Amei",
"Minha porção mulher",
"Acho que o bordeau fica melhor no sofá e a ráfia em cima do puf".
Não convide para a mesma mesa: um HQEH e o Silvinho.
HQEH acha que ainda há tempo de salvar o Brasil e já conseguiu a adesão de todos os Homens que são Homens que restam no país para uma campanha de regeneração do macho brasileiro.Os quatro só não têm se reunido muito seguidamente porque pode parecer coisa de veado.
Texto extraído do livro "As mentiras que os homens contam, Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 89.
LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
A pessoa certa e a pessoa errada
Pensando bem em tudo o que a gente vê e vivenciae ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada.Porque a pessoa certa faz tudo certinho!
Chega na hora certa, fala as coisas certas,faz as coisas certas, mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça, perder a hora, morrer de amor...
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurarque é pra na hora que vocês se encontrarema entrega ser muito mais verdadeira.
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar, mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas.
Essa pessoa vai tirar seu sono.
Essa pessoa talvez te magoe e depois te enche de mimos pedindo seu perdão.
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado, mas vai estar 100% da vida dela esperando você.
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo, porque a vida não é certa.
Nada aqui é certo!O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo, amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo,querendo,conseguindo...
E só assim, é possível chegar àquele momento do dia em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade, tudo o que Ele quer é que a gente encontre a pessoa errada pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente...
LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO.
sábado, 3 de março de 2007
Perdido em si
Estou a cento e cinquenta quilômetros por hora.Ah, o vento e a velocidade...Incrível a sensação... De repente a curva.Fechada.Brusca.Derrapo em direção à ribanceira...Esquisita esta luz forte. Serão faróis?Por que me sinto tão leve?Será que...Que..Estou no céu?
Como posso estar no céu?A pouco estava eu, na varanda de casa, sentado em minha cadeira preta- relíquia de família - sossegado.Sozinho.Lendo o jornal do dia...Quando ouço barulhos na cozinha.O lava-louças não podia ser,pensei,consertei-o semana passada.Vou ver o que é.Sombras de alguém.É homem.Só pode ser ladrão.Rápido.Defesa.Aquela arma na gaveta da sala.Não acredito que vou usá-la.Lá está ele, de capuz preto, no meu quarto.Procura algo.Mas não me vê.É tarde.Atiro.O que fiz?Matei um homem.Desespero.E agora?Correr.O carro é o resgate.
Acelero com toda força que posso.Derrubo a cerca.Que asneira!Tudo bem, depois cuido disso.Escapar.Velocidade.Estrada.Curvas.Senasação leve.Será que...Que Estou no céu?Oh Meu Deus!Já sei:morri.Morri?Não, não pode ser...Se estivesse morto estaria no inferno.Sou um assassino.Luzes fortes e claras.Vou ficar cego.É pouco para o meu pecado.Agora só falta o demônio.Vamos apareça!Somos iguais em desgraça.Mais luzes.De repente, paredes brancas.macas.emergência.homens e mulheres em grande agitação.Um hospital.O que houve?
Como posso estar no céu?A pouco estava eu, na varanda de casa, sentado em minha cadeira preta- relíquia de família - sossegado.Sozinho.Lendo o jornal do dia...Quando ouço barulhos na cozinha.O lava-louças não podia ser,pensei,consertei-o semana passada.Vou ver o que é.Sombras de alguém.É homem.Só pode ser ladrão.Rápido.Defesa.Aquela arma na gaveta da sala.Não acredito que vou usá-la.Lá está ele, de capuz preto, no meu quarto.Procura algo.Mas não me vê.É tarde.Atiro.O que fiz?Matei um homem.Desespero.E agora?Correr.O carro é o resgate.
Acelero com toda força que posso.Derrubo a cerca.Que asneira!Tudo bem, depois cuido disso.Escapar.Velocidade.Estrada.Curvas.Senasação leve.Será que...Que Estou no céu?Oh Meu Deus!Já sei:morri.Morri?Não, não pode ser...Se estivesse morto estaria no inferno.Sou um assassino.Luzes fortes e claras.Vou ficar cego.É pouco para o meu pecado.Agora só falta o demônio.Vamos apareça!Somos iguais em desgraça.Mais luzes.De repente, paredes brancas.macas.emergência.homens e mulheres em grande agitação.Um hospital.O que houve?
terça-feira, 19 de dezembro de 2006
O Enigma do Século
O primeiro dos grandes desafios de um homem nessa vida é descobrir que tipo de obra ele executará neste mundo.No entanto para a maioria, os almejos e ambições materiais estão subordinados a um desejo maior, eis aquele a que me referirei nas próximas linhas.
O que era antes um estado prazeroso e contagiante, consequência de pequenos atos e atitudes cotidianas, na conjuntura atual tranforma-se num óbvio, comum e racional objetivo.O homem passa a buscar desesperadoramente a felicidade o que se reflete nos mais ínfimos desejos.Na mais comum das vezes, a aquisição de um carro novo, uma casa maior, um trabalho melhor remunerado ou até mesmo as conquistas intelectuais são as únicas fontes de felicidade.
É verdade sim, que acontecimentos como estes proporcionam às pessoas bem estar social, econômico e psicológico, conduzindo a momentos de gratificação e paz.Porém a procura desenfreada por este estado de espírito, pode muitas vezes no direcionar a estados depreciativos do corpo e da mente, quando os mesmos ideais não são alcançados, fazendo com que momentos verdadeiramente alegres passem despercebidos por nós.
Ninguém está isento de decepções e frustrações ao longo da vida, já que são nas horas difíceis que refletimos sobre nossas atitudes, avaliamos nossos objetivos e revigoramos nossas forças, o que contribui para o nosso crescimento interior e aprendizado, e por fim levam à formação de cidadãos mais seguros e certos sobre si mesmos, cidadãos estes que não acreditam no estereótipo de felicidade imposto pela sociedade atual, a qual afirma que os bons momentos da vida estão essencialmente contidos na fama, na fortuna e no luxo da elite aristocrática.
Maturidade talvez,possa ser uma das principais chaves para o enigma do século em que vivemos: a felicidade, pois pessoas menos egoístas, emocionalmete inteligentes e mais abertas e tolerantes a toda espécie de pensamento sabem aproveitar as verdadeiras virtudes oferecidadas pela vida, portanto a felicidade não está em viver intensamente, mas em saber viver.
por: Tainá Lima
domingo, 10 de dezembro de 2006
O Ditador da Humanidade
Lamentações,queixas e breves desculpas são atitudes cada vez mais constantes à medida que o tempo passa, a vida corre e nós seres humanos acostumados ao ritmo acelerado desta rotina esgarçante, disparamos numa corrida contra o voraz ditador da humanidade: o relógio.
A falta de tempo é a justificativa mais comum para a ausência dos pais na vida de crianças carentes de amor e afeto, ou até mesmo pelo pouco contado com os vizinhos.O fato é que o tempo passa a ser o sujeito efetico da ação, o mero culpado pelas nossas falhas no trabalho, em casa e na sociedade atual.
A humanidade parece ter esquecido o objetivo da criação do relógio, do sistema temporal do qual todos fazemos parte.Parece que nos tornamos criaturas tão impotentes que nossa coragem e consciência têm se esvaído pelos ralos da citação:"Eu poderia ter sido melhor,se tivesse tido mais tempo...", tempo que não organiza, mas disfarça e encobre a incapacidade humana de reconheçer o próprio fracasso.
No entanto, não estamos tão perdidos assim, basta aceitarmos que o culpado de nossas derrotas profissionais, sociais ou familiares somos nós mesmos, e como diria uma grande cientista:"Falta de tempo é desculpa para quem perde tempo por falta de métodos".
de: Tainá Lima
sábado, 22 de julho de 2006
Como uma maça podre
Nessa nova era de valores invertidos
Que entorpencem nossa mente
Tão descaradamente
Tão hipocritamente
A vida não tem sentido
Senão acompanhada
Do forte e prazeroso
perfume da vaidade
Útil
Fútil
Obrigatório.
Verdades escondidas e mentiras exibidas
Aparências
Enganos
formam essa sociedade
tão aplaudida
tão ouvida
tão seguida
sem piedade.
nossos ideais
de amar
de respeitar
de perdoar
de ajudar
de tentar
de lutar
passam a ser
totalmente desprezíveis
totalmente inexequíveis
totalmente incabíveis
assim o que nos resta é
resistir a
esse vazio exaltado
contlemplado
perdido
confundido.
caso contrário
essa ilusão de felicidade
invadirá
nossos pensamentos
nossas ações
nossos hábitos
nosso caráter
nosso destino
e um dia
num momento inevitável da existência humana
a hora de colher cada semente plantada por essa era,
chegará.
Assim,
os frutos que renderão
serão,
inúteis
amargos e
repugnantes:
como uma maça podre.
Tainá lima
23.07.05
quando eu tinha quatorze anos eu escrevi isso.
sem pensar muito.
apenas registrei numa folha de papel o que eu via, o que eu sentia em relação ao universo que me cercava.
e hoje, um ano depois, parece que nada mudou.
o registro acima, lamentavelmente, ainda continua atual.
e a pergunta é:
Até quando?
Que entorpencem nossa mente
Tão descaradamente
Tão hipocritamente
A vida não tem sentido
Senão acompanhada
Do forte e prazeroso
perfume da vaidade
Útil
Fútil
Obrigatório.
Verdades escondidas e mentiras exibidas
Aparências
Enganos
formam essa sociedade
tão aplaudida
tão ouvida
tão seguida
sem piedade.
nossos ideais
de amar
de respeitar
de perdoar
de ajudar
de tentar
de lutar
passam a ser
totalmente desprezíveis
totalmente inexequíveis
totalmente incabíveis
assim o que nos resta é
resistir a
esse vazio exaltado
contlemplado
perdido
confundido.
caso contrário
essa ilusão de felicidade
invadirá
nossos pensamentos
nossas ações
nossos hábitos
nosso caráter
nosso destino
e um dia
num momento inevitável da existência humana
a hora de colher cada semente plantada por essa era,
chegará.
Assim,
os frutos que renderão
serão,
inúteis
amargos e
repugnantes:
como uma maça podre.
Tainá lima
23.07.05
quando eu tinha quatorze anos eu escrevi isso.
sem pensar muito.
apenas registrei numa folha de papel o que eu via, o que eu sentia em relação ao universo que me cercava.
e hoje, um ano depois, parece que nada mudou.
o registro acima, lamentavelmente, ainda continua atual.
e a pergunta é:
Até quando?
quinta-feira, 13 de julho de 2006
Sobre a morte o morrer
O que é vida?
Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano?
O que e quem a define?
Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa!Não quero ir embora...
Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.
Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas.Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”
Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...”
Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer,porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.
Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis.Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se,então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?". O médico olhou-o com olhar severo e disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?".
Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.
Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.
Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos.Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?
Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente.Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.
Muitos dos chamados "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: "Liberta-me".
Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: "Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...". Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem,sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.
Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.
Texto publicado no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse” do dia 12/10/03. fls 3. Rubem Alves: tudo sobre o autor e sua obra em "Biografias".
Visitem "A casa de Rubem Alves".
Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa!Não quero ir embora...
Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.
Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas.Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”
Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...”
Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer,porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.
Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis.Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se,então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?". O médico olhou-o com olhar severo e disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?".
Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.
Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.
Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos.Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?
Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente.Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.
Muitos dos chamados "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: "Liberta-me".
Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: "Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...". Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem,sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.
Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.
Texto publicado no jornal “Folha de São Paulo”, Caderno “Sinapse” do dia 12/10/03. fls 3. Rubem Alves: tudo sobre o autor e sua obra em "Biografias".
Visitem "A casa de Rubem Alves".
domingo, 30 de abril de 2006
Grande Edgar
Grande Edgar
Já deve ter acontecido com você.
— Não está se lembrando de mim?
Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas armazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há tempo para procurar no arquivo desativado. Ele esta ali, na sua frente, sorrindo, os olhos iluminados, antecipando sua resposta. Lembra ou não lembra?Neste ponto, você tem uma escolha.
Há três caminhos a seguir.
Um, curto, grosso e sincero.
— Não.
Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O "Não" seco pode até insinuar uma reprimenda à pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos entre pessoas educadas. Você deveria ter vergonha. Passe bem. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe bem.
Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.
— Não me diga. Você é o... o...
"Não me diga", no caso, quer dizer "Me diga, me diga". Você conta com a piedade dele e sabe que cedo ou tarde ele se identificará, para acabar com sua agonia. Ou você pode dizer algo como:
— Desculpe, deve ser a velhice, mas...
Este também é um apelo à piedade. Significa "não tortura um pobre desmemoriado, diga logo quem você é!". É uma maneira simpática de você dizer que não tem a menor idéia de quem ele é, mas que isso não se deve a insignificância dele e sim a uma deficiência de neurônios sua.
E há um terceiro caminho. O menos racional e recomendável. O que leva à tragédia e à ruína. E o que, naturalmente, você escolhe.
— Claro que estou me lembrando de você!
Você não quer magoá-lo, é isso! Há provas estatísticas de que o desejo de não magoar os outros está na origem da maioria dos desastres sociais, mas você não quer que ele pense que passou pela sua vida sem deixar um vestígio sequer. E, mesmo, depois de dizer a frase não há como recuar. Você pulou no abismo. Seja o que Deus quiser. Você ainda arremata:
— Há quanto tempo!
Agora tudo dependerá da reação dele. Se for um calhorda, ele o desafiará.
— Então me diga quem sou.
Neste caso você não tem outra saída senão simular um ataque cardíaco e esperar, e falsamente desacordado, que a ambulância venha salvá-lo. Mas ele pode ser misericordioso e dizer apenas:
— Pois é.
Ou:
— Bota tempo nisso.
Você ganhou tempo para pesquisar melhor a memória. Quem será esse cara meu Deus? Enquanto resgata caixotes com fichas antigas no meio da poeira e das teias de aranha do fundo do cérebro, o mantém à distância com frases neutras como jabs verbais.
— Como cê tem passado?
— Bem, bem.
— Parece mentira.
— Puxa.
(Um colega da escola. Do serviço militar. Será um parente? Quem é esse cara, meu Deus?)Ele esta falando:
—Pensei que você não fosse me reconhecer...
—O que é isso?!
—Não, porque a gente às vezes se decepciona com as pessoas.
—E eu ia esquecer de você? Logo você?
—As pessoas mudam. Sei lá.
— Que idéia.
(é o Ademar! Não, o Ademar já morreu. Você foi ao enterro dele. O... o... como era o nome dele? Tinha uma perna mecânica. Rezende! Mas como saber se ele tem uma perna mecânica? Você pode chutá-lo amigavelmente. E se chutar a perna boa? Chuta as duas. "Que bom encontrar você!" e paf, chuta uma perna. "Que saudade!" e paf, chuta a outra. Quem é esse cara?)
— É incrível como a gente perde contato.
— É mesmo.Uma tentativa. É um lance arriscado, mas nesses momentos deve-se ser audacioso.
— Cê tem visto alguém da velha turma?
— Só o Pontes.
— Velho Pontes!
(Pontes. Você conhece algum Pontes? Pelo menos agora tem um nome com o qual trabalhar. Uma segunda ficha para localizar no sótão. Pontes, Pontes...)
— Lembra do Croarê?
— Claro!
— Esse eu também encontro, às vezes, no tiro ao alvo.
— Velho Croarê.
(Croarê. Tiro ao alvo. Você não conhece nenhum Croarê e nunca fez tiro ao alvo. É inútil. As pistas não estão ajudando. Você decide esquecer toda cautela e partir para um lance decisivo. Um lance de desespero. O último, antes de apelar para o enfarte.)
— Rezende...
— Quem?
Não é ele. Pelo menos isto esta esclarecido.
— Não tinha um Rezende na turma?
— Não me lembro.
— Devo esta confundindo.Silêncio. Você sente que esta prestes a ser desmascarado.Ele fala:— Sabe que a Ritinha casou?
— Não!
— Casou.
— Com quem?
— Acho que você não conheceu. O Bituca.
(Você abandonou todos os escrúpulos. Ao diabo com a cautela. Já que o vexame é inevitável, que ele seja total, arrasador . Você esta tomado por uma espécie de euforia terminal. De delírio do abismo. Como que não conhece o Bituca?)
— Claro que conheci! Velho Bituca...
— Pois casaram.
É a sua chance. É a saída. Você passou ao ataque.
— E não avisou nada?
— Bem...
— Não. Espera um pouquinho. Todas essas acontecendo, a Ritinha casando com o Bituca, O Croarê dando tiro, e ninguém me avisa nada?
— É que a gente perdeu contato e...
— Mas meu nome tá na lista meu querido. Era só dar um telefonema. Mandar um convite.
— É...
— E você acha que eu ainda não vou reconhecer você. Vocês é que se esqueceram de mim.— Desculpe, Edgar. É que...
— Não desculpo não. Você tem razão. As pessoas mudam.
( Edgar. Ele chamou você de Edgar. Você não se chama Edgar. Ele confundiu você com outro. Ele também não tem a mínima idéia de quem você é. O melhor é acabar logo com isso. Aproveitar que ele esta na defensiva. Olhar o relógio e fazer cara de "Já?!".)
— Tenho que ir. Olha, foi bom ver você, viu?
— Certo, Edgar. E desculpe, hein?
— O que é isso? Precisamos nos ver mais seguido.
— Isso.
— Reunir a velha turma.
— Certo.
— E olha, quando falar com a Ritinha e o Manuca...
— Bituca.
— E o Bituca, diz que eu mandei um beijo. Tchau, hein?
— Tchau, Edgar!
Ao se afastar, você ainda ouve, satisfeito, ele dizer "Grande Edgar". Mas jura que é a última vez que fará isso. Na próxima vez que alguém lhe perguntar "Você está me reconhecendo?" não dirá nem não. Sairá correndo.
por: Luís Fernando Veríssimo
Texto extraído do livro "As Mentiras que os Homens Contam", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 13.
Já deve ter acontecido com você.
— Não está se lembrando de mim?
Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas armazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há tempo para procurar no arquivo desativado. Ele esta ali, na sua frente, sorrindo, os olhos iluminados, antecipando sua resposta. Lembra ou não lembra?Neste ponto, você tem uma escolha.
Há três caminhos a seguir.
Um, curto, grosso e sincero.
— Não.
Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O "Não" seco pode até insinuar uma reprimenda à pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos entre pessoas educadas. Você deveria ter vergonha. Passe bem. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe bem.
Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.
— Não me diga. Você é o... o...
"Não me diga", no caso, quer dizer "Me diga, me diga". Você conta com a piedade dele e sabe que cedo ou tarde ele se identificará, para acabar com sua agonia. Ou você pode dizer algo como:
— Desculpe, deve ser a velhice, mas...
Este também é um apelo à piedade. Significa "não tortura um pobre desmemoriado, diga logo quem você é!". É uma maneira simpática de você dizer que não tem a menor idéia de quem ele é, mas que isso não se deve a insignificância dele e sim a uma deficiência de neurônios sua.
E há um terceiro caminho. O menos racional e recomendável. O que leva à tragédia e à ruína. E o que, naturalmente, você escolhe.
— Claro que estou me lembrando de você!
Você não quer magoá-lo, é isso! Há provas estatísticas de que o desejo de não magoar os outros está na origem da maioria dos desastres sociais, mas você não quer que ele pense que passou pela sua vida sem deixar um vestígio sequer. E, mesmo, depois de dizer a frase não há como recuar. Você pulou no abismo. Seja o que Deus quiser. Você ainda arremata:
— Há quanto tempo!
Agora tudo dependerá da reação dele. Se for um calhorda, ele o desafiará.
— Então me diga quem sou.
Neste caso você não tem outra saída senão simular um ataque cardíaco e esperar, e falsamente desacordado, que a ambulância venha salvá-lo. Mas ele pode ser misericordioso e dizer apenas:
— Pois é.
Ou:
— Bota tempo nisso.
Você ganhou tempo para pesquisar melhor a memória. Quem será esse cara meu Deus? Enquanto resgata caixotes com fichas antigas no meio da poeira e das teias de aranha do fundo do cérebro, o mantém à distância com frases neutras como jabs verbais.
— Como cê tem passado?
— Bem, bem.
— Parece mentira.
— Puxa.
(Um colega da escola. Do serviço militar. Será um parente? Quem é esse cara, meu Deus?)Ele esta falando:
—Pensei que você não fosse me reconhecer...
—O que é isso?!
—Não, porque a gente às vezes se decepciona com as pessoas.
—E eu ia esquecer de você? Logo você?
—As pessoas mudam. Sei lá.
— Que idéia.
(é o Ademar! Não, o Ademar já morreu. Você foi ao enterro dele. O... o... como era o nome dele? Tinha uma perna mecânica. Rezende! Mas como saber se ele tem uma perna mecânica? Você pode chutá-lo amigavelmente. E se chutar a perna boa? Chuta as duas. "Que bom encontrar você!" e paf, chuta uma perna. "Que saudade!" e paf, chuta a outra. Quem é esse cara?)
— É incrível como a gente perde contato.
— É mesmo.Uma tentativa. É um lance arriscado, mas nesses momentos deve-se ser audacioso.
— Cê tem visto alguém da velha turma?
— Só o Pontes.
— Velho Pontes!
(Pontes. Você conhece algum Pontes? Pelo menos agora tem um nome com o qual trabalhar. Uma segunda ficha para localizar no sótão. Pontes, Pontes...)
— Lembra do Croarê?
— Claro!
— Esse eu também encontro, às vezes, no tiro ao alvo.
— Velho Croarê.
(Croarê. Tiro ao alvo. Você não conhece nenhum Croarê e nunca fez tiro ao alvo. É inútil. As pistas não estão ajudando. Você decide esquecer toda cautela e partir para um lance decisivo. Um lance de desespero. O último, antes de apelar para o enfarte.)
— Rezende...
— Quem?
Não é ele. Pelo menos isto esta esclarecido.
— Não tinha um Rezende na turma?
— Não me lembro.
— Devo esta confundindo.Silêncio. Você sente que esta prestes a ser desmascarado.Ele fala:— Sabe que a Ritinha casou?
— Não!
— Casou.
— Com quem?
— Acho que você não conheceu. O Bituca.
(Você abandonou todos os escrúpulos. Ao diabo com a cautela. Já que o vexame é inevitável, que ele seja total, arrasador . Você esta tomado por uma espécie de euforia terminal. De delírio do abismo. Como que não conhece o Bituca?)
— Claro que conheci! Velho Bituca...
— Pois casaram.
É a sua chance. É a saída. Você passou ao ataque.
— E não avisou nada?
— Bem...
— Não. Espera um pouquinho. Todas essas acontecendo, a Ritinha casando com o Bituca, O Croarê dando tiro, e ninguém me avisa nada?
— É que a gente perdeu contato e...
— Mas meu nome tá na lista meu querido. Era só dar um telefonema. Mandar um convite.
— É...
— E você acha que eu ainda não vou reconhecer você. Vocês é que se esqueceram de mim.— Desculpe, Edgar. É que...
— Não desculpo não. Você tem razão. As pessoas mudam.
( Edgar. Ele chamou você de Edgar. Você não se chama Edgar. Ele confundiu você com outro. Ele também não tem a mínima idéia de quem você é. O melhor é acabar logo com isso. Aproveitar que ele esta na defensiva. Olhar o relógio e fazer cara de "Já?!".)
— Tenho que ir. Olha, foi bom ver você, viu?
— Certo, Edgar. E desculpe, hein?
— O que é isso? Precisamos nos ver mais seguido.
— Isso.
— Reunir a velha turma.
— Certo.
— E olha, quando falar com a Ritinha e o Manuca...
— Bituca.
— E o Bituca, diz que eu mandei um beijo. Tchau, hein?
— Tchau, Edgar!
Ao se afastar, você ainda ouve, satisfeito, ele dizer "Grande Edgar". Mas jura que é a última vez que fará isso. Na próxima vez que alguém lhe perguntar "Você está me reconhecendo?" não dirá nem não. Sairá correndo.
por: Luís Fernando Veríssimo
Texto extraído do livro "As Mentiras que os Homens Contam", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 13.
sábado, 18 de fevereiro de 2006
Blues da Piedade

Composição: Roberto Frejat/Cazuza
Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem
Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
Pois há um incêncio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem
domingo, 12 de fevereiro de 2006
Ambição.
Natureza humana:
Insatisfação com a vida.
Seja ela do jeito que for,
estamos sempre desejando algo a mais.
Assim acabamos por acreditar que a vida alheia é sempre mais interessante que a nossa.
Dando-nos motivos para almejarmos até a coisa mais supérflua que não pertence ao nosso acervo de conquistas.
A revelação de desejos incessantes ocorre na mais tenra idade.
Ocorre quando uma criança deseja um brinquedo.
torna-se inquieta e incompleta até a obtenção do objeto(quase sempre com sacrifícios de seus geradores)
e então vibra de alegria no primeiro instante,
acha-se privilegiada diante de seus companheiros de balbúrdia que nem em sonhos mais deleitosos puderam imaginar-se com tal aquisição.
Até que um dia(não muito distante da data do presente) a sensação de realização acaba:
Sabe-se da existência de outro brinquedo.
E o ciclo da insatisfação continua.
Agora mais forte, mais intenso.
A necessidade, por mais banal que seja, apresenta a cada amanhecer mais fundamento.
Agora pergunto-lhe: Por quê ?
como questionamentos de mãe e pai em momentos de fúria e advertência ao filho, eu mesma pergunto e eu mesma respondo:
Porque precisamos de um sentido para aquilo que chamamos de vida.
por : Tainá Lima
Insatisfação com a vida.
Seja ela do jeito que for,
estamos sempre desejando algo a mais.
Assim acabamos por acreditar que a vida alheia é sempre mais interessante que a nossa.
Dando-nos motivos para almejarmos até a coisa mais supérflua que não pertence ao nosso acervo de conquistas.
A revelação de desejos incessantes ocorre na mais tenra idade.
Ocorre quando uma criança deseja um brinquedo.
torna-se inquieta e incompleta até a obtenção do objeto(quase sempre com sacrifícios de seus geradores)
e então vibra de alegria no primeiro instante,
acha-se privilegiada diante de seus companheiros de balbúrdia que nem em sonhos mais deleitosos puderam imaginar-se com tal aquisição.
Até que um dia(não muito distante da data do presente) a sensação de realização acaba:
Sabe-se da existência de outro brinquedo.
E o ciclo da insatisfação continua.
Agora mais forte, mais intenso.
A necessidade, por mais banal que seja, apresenta a cada amanhecer mais fundamento.
Agora pergunto-lhe: Por quê ?
como questionamentos de mãe e pai em momentos de fúria e advertência ao filho, eu mesma pergunto e eu mesma respondo:
Porque precisamos de um sentido para aquilo que chamamos de vida.
por : Tainá Lima
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006
Inovar
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma de nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre para os mesmos lugares."
(Fernando Pessoa)
(Fernando Pessoa)
sábado, 21 de janeiro de 2006
ESCOLHAS!
Altos e Baixos.....
Chegadas e Partidas....
Muitas pedras pelo caminho.
Somos o que quisemos ser,
Somos o que conseguimos ser,
Somos o que escolhemos ser,
Não importa o quanto você já andou no caminho errado, você pode recomeçar.
Mais um ciclo se completa.
Outro está por vir.
ESCOLHA!
Escolha ter um projeto de vida.
Se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.
Escolha estar no controle de seu presente e futuro.
O passado é a única coisa que não se pode mudar.
Escolha fazer sua própria sorte.
Querer,trasforma possibilidade em realidade.
Escolha preservar sua essência.
De um jeito ou de outro a natureza o levará a isso.
Escolha expandir suas capacidades.
Você ficará mais forte diante da vida.
Escolha se divertir sempre.
Essa é a verdadeira fonte da juventude.
Escolha insistir, persistir.
Ainda que haja tropeços e quedas.
Escolha sonhar com o futuro,
Visualize-o e com certeza assim será!
Escolha ter coragem e ousadia.
Boa intenção, nem sempre, é o suficiente.
Escolha o trabalho em equipe.
Muitas vezes a soma das partes é maior que o todo.
Ecolha estar em sintonia com seu tempo.
Tudo muda e é preciso estar preparado para novas situações.
Escolha descobrir o que você tem de melhor,
Isso será seu melhor auxílio diante das adversidades.
Escolha alcançar objetivos estimulantes.
Insegurança e ceticismo só atrapalham.
Escolha aprender e reaprender todos os dias.
Sabedoria se conquista com paciência e tempo.
Escolha ser estratégico.
Crie sempre alianças promissoras.
Escolha ser criativo,
Para isso é preciso experimentar coisas novas.
Escolha ser racional, organizado, chato...
Desde que esteja crescendo com isso.
Escolha vencer sem deixar para trás seus valores.
Caso contrário mais cedo ou mais tarde, se arrependerá.
Escolha dizer obrigado.
Demonstrando gratidão, conquistamos aliados.
Escolha ter paixão e entusiasmo em tudo.
Isso fará de você um ser humano excepcional.
Escolha chegar ao fim de cada batalha com a consciência do dever cumprido.
O sentimento de auto-realização é a melhor recompensa.
VOCÊ é, essencialmente, fruto de suas escolhas.
Então escolha
SER O MELHOR QUE PUDER!
por: cidade do cérebro.
http://cidadedocerebro.com.br
Chegadas e Partidas....
Muitas pedras pelo caminho.
Somos o que quisemos ser,
Somos o que conseguimos ser,
Somos o que escolhemos ser,
Não importa o quanto você já andou no caminho errado, você pode recomeçar.
Mais um ciclo se completa.
Outro está por vir.
ESCOLHA!
Escolha ter um projeto de vida.
Se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.
Escolha estar no controle de seu presente e futuro.
O passado é a única coisa que não se pode mudar.
Escolha fazer sua própria sorte.
Querer,trasforma possibilidade em realidade.
Escolha preservar sua essência.
De um jeito ou de outro a natureza o levará a isso.
Escolha expandir suas capacidades.
Você ficará mais forte diante da vida.
Escolha se divertir sempre.
Essa é a verdadeira fonte da juventude.
Escolha insistir, persistir.
Ainda que haja tropeços e quedas.
Escolha sonhar com o futuro,
Visualize-o e com certeza assim será!
Escolha ter coragem e ousadia.
Boa intenção, nem sempre, é o suficiente.
Escolha o trabalho em equipe.
Muitas vezes a soma das partes é maior que o todo.
Ecolha estar em sintonia com seu tempo.
Tudo muda e é preciso estar preparado para novas situações.
Escolha descobrir o que você tem de melhor,
Isso será seu melhor auxílio diante das adversidades.
Escolha alcançar objetivos estimulantes.
Insegurança e ceticismo só atrapalham.
Escolha aprender e reaprender todos os dias.
Sabedoria se conquista com paciência e tempo.
Escolha ser estratégico.
Crie sempre alianças promissoras.
Escolha ser criativo,
Para isso é preciso experimentar coisas novas.
Escolha ser racional, organizado, chato...
Desde que esteja crescendo com isso.
Escolha vencer sem deixar para trás seus valores.
Caso contrário mais cedo ou mais tarde, se arrependerá.
Escolha dizer obrigado.
Demonstrando gratidão, conquistamos aliados.
Escolha ter paixão e entusiasmo em tudo.
Isso fará de você um ser humano excepcional.
Escolha chegar ao fim de cada batalha com a consciência do dever cumprido.
O sentimento de auto-realização é a melhor recompensa.
VOCÊ é, essencialmente, fruto de suas escolhas.
Então escolha
SER O MELHOR QUE PUDER!
por: cidade do cérebro.
http://cidadedocerebro.com.br
Um dia você aprende que....
Depois de algum tempo você aprende a diferença,a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.E você aprende que amar não significa apoiar-se,e que companhia nem sempre significa segurança.E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante,com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos,e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.E aprende que não importa o quanto você se importe,algumas pessoas simplesmente não se importam...E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la,e que você pode fazer coisas em um instante,das quais se arrependerá pelo resto da vida.Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.E o que importa não é o que você tem na vida,mas quem você tem na vida.E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam,percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada,e terem bons momentos juntos.Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa,por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas,Pode ser a última vez que as vejamos.Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós,mas nós somos responsáveis por nós mesmos.Começa a aprender que não se deve comparar com os outros,mas com o melhor que pode ser.Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser,e que o tempo é curto.Aprende que não importa aonde já chegou,mas onde está indo.mas se você não sabe para onde está indo,qualquer lugar serve.Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão,e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade,pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação,sempre existem dois lados.Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,enfrentando as conseqüências.Aprende que paciência requer muita prática.Descobre que algumas vezes as pessoas que você espera o chute, quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você já celebrou.Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens,Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva,mas isso não te dá o direito de ser cruel.Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame,não significa que esse alguém não o ame com tudo o que pode,pois existem pessoas que nos amam,mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém,algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo.Aprende que com a mesma severidade com que julga,você será em algum momento condenado.Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás,portanto, plante seu jardim e decore sua alma,ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.E você aprende que realmente pode suportar...Que realmente é forte,e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!Nossas dádivas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar,se não fosse o medo de tentar.
William Shakespeare
Faxina Política
A necessidade de uma assepsia na política do Brasil é notória.Depois de tantos discursos nos quais a hombridade, a boa e aprazível pretensão de compreensão popular aquiesceram lugar, sem hesitar à presunção de alguns líderes políticos, que por acreditarem em poder vender e comprar os direitos do povo, tornam cada vez mais escassa a possibilidade de se viver em um país digno e principalmente incorrupto.
No entanto, enquanto não for esgarçada de vez essa sujeira o jeito é se surpreender com o desvio de vultosas somas de dinheiro público, e quem sabe assim aprender a usar melhor uma arma que depende de nós para ser tão impotente ou eficaz diante de toda essa lamentável situação: o direito do voto.
por:Tainá Lima
No entanto, enquanto não for esgarçada de vez essa sujeira o jeito é se surpreender com o desvio de vultosas somas de dinheiro público, e quem sabe assim aprender a usar melhor uma arma que depende de nós para ser tão impotente ou eficaz diante de toda essa lamentável situação: o direito do voto.
por:Tainá Lima
quarta-feira, 18 de janeiro de 2006
mudar?!
existem momentos em que todos nós necessitamos de mudanças.
mudanças de hábitos.
mudanças de pensamentos.
mudanças de atitude.
mudanças na nossa maneira de ver e sentir o mundo.
mas algumas vezes a insegurança bate e então tememos trocar o que somos pelo que poderíamos vir a ser.
dúvida cruel, que nós faz perder o almejado e ganhar o ignorado.
ser ou não ser?!
ficar ou ir?!
falar ou calar?!
sorrir ou sofrer?!
viver ou morrer?!
são diversas as nossas suspeitas.
só nossas.
porque;
nem mãe, nem pai, nem tio,nem tia, nem vó,nem vô,nem filho, nem filha, nem irmão, nem irmã, nem marido, nem mulher, podem traçar nosso caminho por nós.
sabe aquela história que ninguém é igual a niguém, cada um é cada um.
pois é.
é exatamente assim com as nossas decisões.
são únicas, cada pessoa toma a sua.
percebemos,duvidamos,intrigamos,desesperamos,socorremos,ouvimos, decidimos e agimos.
e mudamos.
sim, mudamos.
mudamos nossos hábitos, nossos pensamentos,nossas atitudes e a nossa maneira de ver e sentir o mundo.
só algo é certo:
apesar de errarmos em várias de nossas sentenças
só os realmente grandes agem como se tivessem acertado diante do fracasso;
aprendem a não passar novamente pela estrada onde foram (às vezes de súbito ou previsivelmente) assolados pelo erro.
mudanças de hábitos.
mudanças de pensamentos.
mudanças de atitude.
mudanças na nossa maneira de ver e sentir o mundo.
mas algumas vezes a insegurança bate e então tememos trocar o que somos pelo que poderíamos vir a ser.
dúvida cruel, que nós faz perder o almejado e ganhar o ignorado.
ser ou não ser?!
ficar ou ir?!
falar ou calar?!
sorrir ou sofrer?!
viver ou morrer?!
são diversas as nossas suspeitas.
só nossas.
porque;
nem mãe, nem pai, nem tio,nem tia, nem vó,nem vô,nem filho, nem filha, nem irmão, nem irmã, nem marido, nem mulher, podem traçar nosso caminho por nós.
sabe aquela história que ninguém é igual a niguém, cada um é cada um.
pois é.
é exatamente assim com as nossas decisões.
são únicas, cada pessoa toma a sua.
percebemos,duvidamos,intrigamos,desesperamos,socorremos,ouvimos, decidimos e agimos.
e mudamos.
sim, mudamos.
mudamos nossos hábitos, nossos pensamentos,nossas atitudes e a nossa maneira de ver e sentir o mundo.
só algo é certo:
apesar de errarmos em várias de nossas sentenças
só os realmente grandes agem como se tivessem acertado diante do fracasso;
aprendem a não passar novamente pela estrada onde foram (às vezes de súbito ou previsivelmente) assolados pelo erro.
terça-feira, 17 de janeiro de 2006
só os extremamente sábios e os extremamente estúpidos é que nunca mudam.

"eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo, sobre o que é o amor, sobre o que eu nem sei quem sou." (Raul Seixas)
talvez se algumas pessoas da nossa sociedade soubessem e acreditassem que onde há vida há sempre mudança, a busca pela compreensão do nosso próprio eu poderia vir a ser mais fácil.
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